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Entrada Actual nº 7, Julho 09
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Actual nº 7, Julho - Agosto 2009

ACAPO-ACTUAL
BOLETIM INFORMATIVO MENSAL DA ACAPO
N.º 7 – Julho-Agosto 2009

Edição disponível em formato electrónico no sítio Web www.acapo.pt, e em Braille e caracteres ampliados nas Delegações da ACAPO

Contribua para este Boletim, enviando as suas notícias, críticas, sugestões ou simples mensagens!

Ficha técnica:
ACAPO-Actual
Coordenação Editorial: Rodrigo Santos – Direcção Nacional
ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal
R. de S: José, 86-1.º
1150-324 Lisboa
Tel.: 21 324 45 00; Fax: 21 324 45 33
E-mail: actual@acapo.pt
Sítio Web: www.acapo.pt

ÍNDICE

  1. Introdução
  2. O que fizemos
    1. Fundação EDP aprova projecto de recuperação do Centro de Produção Documental da ACAPO.
    2. Coimbra sobe à serra da Lousã.
    3. Direcção de Delegação do Algarve faz balanço do primeiro ano de mandato.
  3. O que vamos fazer
    1. Canoagem e convívio em duas tardes algarvias.
    2. Vai ao Algarve de férias? Visite a Delegação da ACAPO!
  4. Volta a Portugal
    1. Prémio Eng.º Jaime Filipe distingue projecto da Metro do Porto.
    2. Parlamento pede mais acessibilidade na altura de votar.
    3. Geologia na Ponta dos Dedos mostra a história e o funcionamento do Mundo a Cegos e Amblíopes.
    4. Vila Real de Santo António quer estar acessível a todos.
    5. Matosinhos lança Plano Municipal para a Inclusão das Pessoas com Deficiência.
    6. Jovens de Vila Franca de Xira identificam barreiras à acessibilidade física em peddy paper.
  5. Volta ao Mundo
    1. Software brasileiro permite interacção entre músicos cegos e não-cegos.
    2. Nomeado primeiro Juiz Cego no Brasil.

1. INTRODUÇÃO

Chegamos finalmente à altura em que, tradicionalmente, as pessoas descansam de um ano de trabalho. É lógico que, como quem faz as instituições são as pessoas, estas aproveitam também os ares do Verão para um merecido descanso, e também – por paradoxal que possa parecer – para um refrescamento. Com efeito, se o cansaço nos domina quando partimos para férias, na altura do regresso é comum estarmos cheios de energia, prontos para retomar com novo fôlego os nossos afazeres e as nossas missões. É exactamente esse o espírito desta edição da ACAPO-Actual. Partimos para férias, já que não será editada esta newsletter no mês de Agosto, mas será nestas férias que buscaremos novas energias para regressarmos, cheios de coisas para contar, em Setembro, como sempre pontualmente ao dia 28 de cada mês. Antes de partirmos para férias, e de desejarmos a todos umas óptimas férias também, queremos aproveitar para reafirmar a necessidade de que, também nestas férias, as Delegações da ACAPO renove m s suas energias, voltando em Setembro prontas para contribuir ainda mais e melhor para este boletim, que é de todos e que só faz sentido se todos – Sócios, Delegações, entre outros – colaborarem com ele. Por isso, em Setembro, queremos ver na ACAPO-Actual muitas notícias, não só da Direcção Nacional, da Mesa da Assembleia de Representantes, ou até do Conselho Fiscal e de Jurisdição se entenderem que podemos ser úteis para a divulgação de algum conteúdo, mas também, e sobretudo, das Direcções de Delegação, pois é nas suas Delegações que a vida associativa da ACAPO fervilha, e é aí que se sente com maior proximidade e intensidade a força do associativismo de cegos e amblíopes.

Resta-nos desejar, em nome de todos os que tornam a ACAPO-Actual uma realidade presente e futura, umas óptimas e revigorantes férias a todos quantos nos lêem, com a promessa de que a 28 de Setembro estaremos de volta!

2. O QUE FIZEMOS

2.1 – Fundação EDP aprova projecto de recuperação do Centro de Produção Documental da ACAPO – A ACAPO foi uma das 12 entidades contempladas com o apoio da Fundação EDP, no âmbito da iniciativa “EDP Solidária”, que irá apoiar o projecto “Produzir mais para Informar Mais (pontes para a igualdade)”. O nosso projecto foi um dos 12 apoiados, dos 229 apresentados à referida Fundação. O projecto prevê a recuperação do Centro de Produção Documental (CPD), que actualmente funciona em Chelas, na cidade de Lisboa. Embora o apoio concedido pela Fundação EDP não permita cobrir a cem por cento o projecto apresentado, tornará no entanto possível a realização de pequenas obras de requalificação das instalações ocupadas pelo CPD, bem como uma aposta na recuperação e aquisição de novos equipamentos que possibilitem uma maior e melhor produção de materiais acessíveis a pessoas cegas e com baixa visão. “A recuperação do Centro de Produção Documental constitui uma forte aposta desta Direcção Nacional, e insere-se num esforço muito significativo de uma mais efectiva comunicação com os nossos associados, de produção e de promoção do Braille junto das pessoas cegas e amblíopes e da comunidade em geral”, afirmou à ACAPO-Actual o Presidente da Direcção Nacional, Carlos Lopes.

2.2 – Coimbra sobe à serra da Lousã – Texto de Maria Teresa Silva Maia: “No dia 27 de Junho um grupo de 25 sócios, familiares e amigos da Delegação de Coimbra da ACAPO foram de comboio visitar a aldeia da Cerdeira na serra da Lousã. Chegados à estação ferroviária aguardava-nos um autocarro da autarquia lousanense que nos conduziu até onde a estrada permite; Depois... foi “trepar” encosta acima até à aldeia, a uma altitude de 700 metros, onde o Senhor António, ou melhor o amigo António, dono de uma quinta que produz ervas aromáticas em regime de produção biológica nos acompanhou e mostrou todas as coisas interessantes e, para alguns de nós, desconhecidas da vida dura mas assumida que ele leva. O percurso pela quinta foi o de sobe e desce, tudo cheio de encanto e novidade para quem vive na cidade. As plantas crescem em socalcos que outrora serviram para apascentar rebanhos. Na aldeia vivem em permanência 5 pessoas, as casas são de xisto uma vez que a Cerdeira é uma das 23 aldeias da rede das aldeias de xisto. Com o almoço “piquenicado” de permeio fizemos dois passeios pela quinta, onde vimos, tocámos e cheirámos as diversas plantas que ali crescem. Ficámos a perceber o afinco e o amor que o Amigo António tem pelo seu trabalho e a galhardia com que nos recebeu. No final experimentámos as tisanas e infusões, bem como alguns temperos de ervas que o nosso amigo António produz e comercializa. Depois foi descer encosta abaixo e mais uma vez constatámos a verdade daqueles versos de “OS LUSÍADAS” em que Camões diz:
“Ei velozo amigo, aquele outeiro é mais fácil de descer que de subir”...”

2.3 – Direcção de Delegação do Algarve faz balanço do primeiro ano de mandato – Texto da Direcção de Delegação do Algarve da ACAPO: “Completou-se no dia 7 de Junho de 2009 o primeiro ano de mandato da Direcção de Delegação do Algarve da ACAPO. “Por uma ACAPO mais nossa” foi, e continua a ser, o lema que preside ao dia-a-dia do nosso trabalho, que não tem sido nada fácil mas que tem sido realizado com todo o empenho. Quando aqui chegámos encontrámos uma Delegação votada ao abandono em todos os aspectos e numa situação económica deplorável. Muito havia que fazer e a equipa técnica da Delegação, por muita vontade que tivesse, encontrava-se limitada na sua acção pelo facto de depender de uma Direcção Nacional que nem ajudava nem permitia que se fizesse o que quer que fosse. Com a chegada desta Direcção procurou-se que a situação se invertesse, e foi necessário fazer muito trabalho que à primeira vista não aparece mas que era necessário que fosse realizado. No balanço deste primeiro ano queremos destacar que equipa técnica e Direcção remam no mesmo sentido, e que hoje a Delegação do Algarve da ACAPO começa a ser vista com outros olhos por parte de entidades que dela tinham uma imagem muito negativa não por culpa de quem cá trabalha mas por razões de circunstância que aqui não cabe referir. Sempre fomos uma direcção aberta a todas as sugestões vindas de associados e utentes, mas infelizmente foram poucos aqueles que apresentaram ideias, sendo de todo muito justo dizer que o que foi apresentado teve grande valia e foi devidamente implementado dentro do possível e das circunstâncias em que se encontra a Delegação. Encontrámos também na actual Direcção Nacional da ACAPO uma equipa que sempre se mostrou disposta a estar ao nosso lado em tudo o que solicitámos, embora com as limitações por demais conhecidas, designadamente a nível económico. O que prometemos no programa eleitoral foi trabalho. Traçámos alguns objectivos, dos quais alguns foram atingidos, como seja o Espaço Internet e Centro de Recursos que hoje é uma realidade e se encontra à disposição de todos os sócios e utentes. As actividades que programámos têm sido cumpridas, sendo que o acampamento só não se realizou por falta de inscrições, facto sobre o qual não temos qualquer responsabilidade na medida em que tudo estaria preparado para a realização desta actividade. Na angariação de fundos e outros recursos para a delegação cabe referir que tudo se torna mais complicado em altura de crise, mas algumas autarquias colaboraram com a Delegação do Algarve da ACAPO - nomeadamente Portimão e Vila do Bispo - e ainda decorrem negociações sobre protocolos a estabelecer com Tavira, Albufeira e Silves. A aquisição de uma viatura mais ligeira para a delegação também foi um objectivo parcialmente atingido, na medida em que neste momento temos em nosso poder um ofício da Área Metropolitana do Algarve que deu resposta positiva à nossa solicitação de verbas para a sua aquisição, o que esperamos que aconteça em breve. Outras entidades estão sensíveis à nossa causa, como é o caso do Lions Clube, que tem estado a trabalhar directamente com a Delegação para realização de acções de angariação de fundos que a seu tempo serão divulgadas, tendo ainda a respectiva Delegação de Faro oferecido 3 bengalas para auxiliar nas aulas de orientação e mobilidade. Recordamos ainda que foi o Lions Clube que patrocinou os presentes de Natal que a Direcção entregou aos sócios e utentes que estiveram no Almoço de Natal de 2008. Foi ainda possível, mesmo com as dificuldades económicas existentes, adquirir algum material que era necessário para o bom funcionamento da delegação, bem como, entre outras medidas negociadas, se conseguiu uma redução de 1200 euros no valor total da renda das instalações respeitante ao ano de 2009 o que constituiu uma mais valia para a tesouraria da delegação. Foram ainda efectuados alguns trabalhos de manutenção, designadamente ao nível da instalação eléctrica, e da segurança, com a aquisição de materiais como placas com indicações bem visíveis, manutenção de extintores, entre outros. Realizaram-se ainda diversas acções de sensibilização e formação sobre a temática da deficiência visual, e aqui devemos destacar o grande sucesso da acção de formação organizada por nós em parceria com o Museu Municipal de Faro sobre iniciação ao sistema Braille, e que se integrou no ano de comemorações dos 200 anos sobre o nascimento de Louis Braille. Ainda queremos destacar neste capítulo a formação ministrada pela ACAPO aos funcionários de superfícies comerciais para melhor cumprirem a lei de prestação de serviços a pessoas portadoras de deficiência visual. No seguimento da nossa política de transparência, temos enviado aos sócios e utentes toda a informação respeitante à vida da Delegação, e temos ao vosso dispor para consulta tudo o que acharem por bem verificar, incluindo actas das reuniões de Direcção, que poderão consultar aqui na Delegação em suporte acessível a todos. Temos também um horário de atendimento às Quartas às 18H., que infelizmente não tem sido tão usado por parte dos sócios e utentes como gostaríamos, na medida em que para nós o contacto directo com aqueles para quem trabalhamos se reveste de fundamental importância. Tentámos as reuniões abertas, mas infelizmente sem a comparência desejada, embora apostemos nelas para a segunda parte do nosso mandato como meio de aproximação entre a Direcção e os sócios e utentes. Por fim, e em conclusão, mantemos a nossa posição de sempre - ou seja, não prometer mais nada a não ser trabalho, e sobretudo o nosso desejo de continuar a contar com todos para nos ajudar a termos sempre uma ACAPO mais Nossa”.

3. O QUE VAMOS FAZER

3.1 – Canoagem e convívio em duas tardes algarvias - A Delegação do Algarve da ACAPO promove, no próximo mês de Agosto, duas tardes de convívio onde também será possível praticar canoagem. As tardes decorrerão a partir das 15H. dos dias 18 e 25 de Agosto no Centro Náutico da Ilha de Faro. Os sócios e amigos interessados devem inscrever-se até ao próximo dia 14 de Agosto nos serviços da Delegação do Algarve da ACAPO, pelo telefone 289 806 693 ou pelo e-mail Algarve@acapo.pt.

3.2 – Vai ao Algarve de férias? Visite a Delegação da ACAPO! – Sabendo como, tradicionalmente, muitos portugueses se deslocam ao Algarve de férias, a Delegação do Algarve da ACAPO convida todos os sócios que se possam encontrar, de férias ou a passeio, na região, a visitar as suas instalações e a conhecer melhor esta Delegação da ACAPO. Para o efeito, não deixe de passar por Faro, e visitar a Delegação, na R. António Bernardo da Cruz, 15, Loja, ou contactar a Delegação pelo telefone 289 806 693 ou pelo e-mail Algarve@acapo.pt. A Delegação do Algarve da ACAPO deseja-lhe umas agradáveis férias e fica desde já à espera da sua visita.

4. VOLTA A PORTUGAL

4.1 – Prémio Eng.º Jaime Filipe distingue projecto da Metro do Porto – Foi entregue este mês na Guarda mais um prémio Eng.º Jaime Filipe. O prémio, que é entregue anualmente, distingue os maiores inventos potenciadores de autonomia para as pessoas com deficiência. O vencedor deste ano foi o sistema Magic Eye, criado pelo Professor Luís Figueiredo, do Instituto Politécnico da Guarda, que permite controlar o rato do computador através do movimento dos olhos. Mo evento foi ainda distinguido o projecto NavMetro, que permite aos cegos e pessoas com baixa visão orientarem-se autonomamente nas estações do Metro do Porto com a ajuda de um simples telemóvel. Este projecto, que junta a Metro do Porto, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e a ACAPO, recebeu este ano a menção honrosa. Na ocasião, a Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, salientou não só a importância da inovação tecnológica para o derrube de barreiras, mas ainda o carácter transversal da acessibilidade. Segundo Idália Moniz, quando se pensa em problemas de acessibilidade a tendência é olhar apenas às barreiras físicas, esquecendo muitas vezes as pessoas com deficiências sensoriais, que também enfrentam barreiras igualmente difíceis de transpor. A ACAPO-Actual recorda que as candidaturas à próxima edição do Prémio Eng.º Jaime Filipe estão a decorrer até Setembro, podendo ser obtidos mais esclarecimentos em www.seg-social.pt.

4.2 – Parlamento pede mais acessibilidade na altura de votar – O Parlamento português aprovou recentemente uma resolução em que solicita que sejam identificadas as principais dificuldades sentidas pelas pessoas com deficiência na altura de exercer o seu direito de voto. Na base desta resolução esteve uma petição, apresentada ao Parlamento em Março por mais de 4200 cidadãos, em que era pedida a adopção de boletins de voto em Braille e ainda a adaptação das mesas de voto para que pessoas com dificuldades motoras, nanismo ou gigantismo, pudessem exercer livre e autonomamente o seu direito cívico fundamental. Todos os partidos com assento parlamentar foram unânimes no reconhecimento da necessidade de se adoptarem medidas para que as pessoas com qualquer tipo de deficiência possam exercer, de forma livre e autónoma, o seu direito de voto. Esta medida é particularmente importante num ano em que se realizarão três votações – para o Parlamento Europeu, para o Parlamento nacional e para as autarquias. Aguarda-se agora com expectativa a forma concreta como vão ser materializadas na prática as preocupações e recomendações do Parlamento. A ACAPO não deixará de estar atenta a novos desenvolvimentos nesta matéria, pugnando por um voto livre, autónomo e não discriminatório para as pessoas com deficiência visual.

4.3 – Geologia na Ponta dos Dedos mostra a história e o funcionamento do Mundo a Cegos e Amblíopes – Vai decorrer no próximo dia 4 de Setembro a segunda acção da “Geologia na Ponta dos Dedos”, uma iniciativa da Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Geologia da mesma universidade, inserida no programa Ciência Viva. O objectivo desta acção é dar a conhecer as rochas, registos da história e do funcionamento do planeta que se ligam e se completam entre si num ciclo de muitos milhões de anos. A acção, pensada especialmente para pessoas com deficiências da visão, é gratuita, mas a inscrição é obrigatória. O ponto de encontro será às 15H. do dia 4 de Setembro no átrio do Edifício C6 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, junto ao Globo Terrestre, no Campo Grande, em Lisboa. Pode inscrever-se pelo telefone 808 200 205 ou pelo site www.cienciaviva.pt. A acção está aberta a 8 participantes maiores de 16 anos, e decorre das 15H. às 17H.

4.4 – Vila Real de Santo António quer estar acessível a todos – A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António apresentou, no início deste mês, os seus programas de promoção da mobilidade. No que diz respeito às pessoas com deficiência visual, a Câmara Municipal quer adoptar envelopes com identificação em Braille, para que os munícipes cegos saibam que estão a receber correspondência da autarquia, e ainda irá promover também o rebaixamento dos passeios na zona dos atravessamentos, o que beneficia não só as pessoas com deficiência visual – que ficam a saber onde é seguro atravessar – mas também outras pessoas com dificuldades de locomoção. Segundo o Presidente da autarquia, Luís Gomes, Vila Real de Santo António integra-se assim na primeira geração dos programas de promoção da acessibilidade, prosseguindo assim o programa Portugal Mais Acessível, lançado pelo Governo em 2008.

4.5 – Matosinhos lança Plano Municipal para a Inclusão das Pessoas com Deficiência – O Presidente da Câmara municipal de Matosinhos, Guilherme Pinto, apresentou recentemente o plano da autarquia para a inclusão social das pessoas com deficiência. Trata-se de um plano ambicioso mas realista, nas palavras do edil, que é para cumprir até 2013. De entre as diversas medidas propostas destaca-se a criação de um serviço de transporte porta a porta para pessoas com deficiência, que parte da ideia de que a rede regular de transportes colectivos não está toda ela acessível. O plano prevê ainda medidas de integração profissional (com o objectivo de criar 75 novos postos de trabalho), acessibilidade na formação escolar e profissional, levantamento de barreiras arquitectónicas, e criação de acessibilidades aos tanques das piscinas municipais e às praias do concelho, entre outras.

4.6 – Jovens de Vila Franca de Xira identificam barreiras à acessibilidade física em peddy paper – 25 jovens alunos das escolas do concelho de Vila Franca de Xira participaram este mês num peddy paper que procurou identificar os problemas de acessibilidade ao meio físico que se sentem nas ruas da cidade sede do concelho. Os 25 alunos das escolas de Vila Franca de Xira fizeram um dos cinco percursos alternativos disponíveis, ou vendados ou deslocando-se em cadeiras de rodas, com o objectivo de sensibilizar agentes locais e comerciantes para as dificuldades que enfrenta quem tem mobilidade reduzida. O evento, que se insere no Plano Municipal para a Promoção da Acessibilidade, frisou o trabalho já feito, mas também o muito que ainda há para fazer, como o rebaixamento de passeios, criação de mais rampas e remoção de obstáculos desnecessários.

5. VOLTA AO MUNDO

5.1 – Software brasileiro permite interacção entre músicos cegos e não-cegos – Foi lançado em Brasília, no início do mês de Julho, o Musibraille. Trata-se de um software para computador que permite a conversão de partituras musicais de e para Braille, facilitando assim a interacção entre músicos ou aprendizes de música com e sem deficiência visual. Segundo a criadora do software, a professora Dolores Tomé, coordenadora do curso de Musicografia Braille da Escola de Música de Brasília, este programa informático permite não só uma maior e melhor interacção entre músicos cegos e não-cegos mas também uma mais fácil interacção entre professores de música e os seus alunos cegos. O software, simples de usar, foi desenvolvido em parceria entre a professora e outros dois investigadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e está disponível na Internet em www.intervox.nce.ufrj.br/musibraille.

5.2 – Nomeado primeiro Juiz Cego no Brasil – O Presidente da República do Brasil, Lula da Silva, nomeou o primeiro juiz cego daquele país sul-americano. Ricardo Tadeu da Fonseca, que até aqui era Procurador do Ministério Público do Trabalho no estado do Paraná, foi nomeado Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 9.ª Região. A nomeação, publicada no passado dia 16 de Julho no jornal oficial brasileiro, torna Ricardo Tadeu da Fonseca o primeiro juiz cego do Brasil. Aos 50 anos, este juiz cumpre assim um sonho pelo qual lutava há já algum tempo, sendo de notar que chegou a ser excluído de um concurso anterior para juiz, apesar de ter sido aprovado no exame escrito, tendo as entidades oficiais alegado na altura que a justiça não podia comportar um juiz cego.

 
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