Adversidade, Companheira De Uma Vida Que Vale A Pena!

por Paulo Santos

Ato 1

Uma história de vida, amizade e amor especial, bem especial!

Tem uma doçura, doce, muito doce!

Um príncipe, abusado, bem abusado!

Duas “bruxas”, más! Que na realidade são duas “drastas" azedas, muito azedas, que não podem trincar a língua, porque finam-se, num ápice!

Teoricamente, teria família, uma amiga e uma patroa. Mas na prática tinha quatro, “drastas”!

Uma mãe que é uma madrasta;

Uma irmã que é uma “irmadrasta”!

Uma amiga que é uma “amidrasta”!

Uma patroa que foi uma “patrodrasta”!

Um brinde que foi um depredrasta.

Ato 2

Cinco anos antes, trabalhava numa loja de artigos de vestuário para turista.

Foi muito pressionada pela patrodrasta para se despedir e resistiu até apanhar uma grande depressão.

A mãe, drasta, tinha rendimentos de ministra e não quis pagar um bom psiquiatra e terapia para não gastar pilim. A Lise Good, quando não trabalhava, tinha que ocultar que tinha algum, porque a mãe, se soubesse, dizia, paga ai isso.

O pai era uma belíssima pessoa, mas humilde e talvez sem conhecimentos. Não teve tato para ver a realidade e consequências.

A irmã, saía à mãe, com a desculpa, esfarrapada, de ajudar o pai, pôs-se como segunda titular da conta bancária. Após o falecimento, fez uma verdadeira higienização na conta. Quando a Lise Good, sem rendimentos, ficou a zeros e a ver navios.

Perguntei ao padrinho se a irmadrasta tinha um carrão novo. Disse que sim. Nem precisei de ver para saber que assim seria.

A mãe de uma e a maedrasta da outra,

A mãe nega-lhe a parte da herança que lhe cabe, o que não é pouco. Diz-lhe, se a quer, meta um advogado.

A Lise Good diz que um dia, a irmã, digo eu drasta, dá-a como maluca e fica com tudo.

Eu, pelo que vi, basta a irmadrasta proibir a Lise Good de ver a afilhada e o sobrinho que abdica de tudo.

É uma pessoa humilde e com a depressão não tem força para lutar contra esta antifamília.

Com uma destas, ninguém precisa de inimigos.

Comparativamente ao tuga comum! Um tanto ou quanto, Endinheirada, mas muito pobre.

Uma criança disse que a irmã é feia e que a Lise Good é muito bonita.

A irmã e a mãe, a Lise Good e o pai, são farinha de dois sacos totalmente diferentes. Um de mau pó branco e o outro de boa farinha, nacional!

Ato 3

Um mês depois de começar a trabalhar no Continente, partiu um pé.

Outro após, faleceu o pai.

Outro depois, apareceu o príncipe, não sapo! Atenção que o beijo foi depois e dado!

Tirou-a da depressão e ficou feliz.

Nos primeiros tempos a maedrasta até gostava do abusado.

Já tínhamos combinado ir viver para o palácio da maedrasta, a partir do ano seguinte. Apenas para ela não ficar sozinha. Era uma vivenda grande,

No final do verão, um dia, a maedrasta acusou-a, injustamente, de algo de que tinha remorsos e nem se deve e pode referir. Mesmo sabendo que era mentira, ficou desesperada e tive que a ir buscar e trazer para casa.

No dia seguinte, falei com a maedrasta e, muito a custo, lá voltou para casa.

Algum tempo depois, a maedrasta, bateu com o carro e, como sempre, acusou-a da batida. Porque, tudo o que lhe acontecia de mal, sacudia sempre as culpas. Assumi-las, era uma incapacidade permanente incurável.

Ficou desesperada de novo e pedi a um, futuramente, pseudoamigo para a ir buscar e.

Quando voltou a casa, a maedrasta pô-la na rua e passou a viver comigo.

Nessa altura, eu alugava um quarto a um quota, quarenta. Um cabo-verdiano, barman com boa pinta. Muito educado, caracterizado por passar semanas no quarto, em total silêncio. Por vezes, duvidava se ainda respirava.

Disse-lhe para encontrar outro alojamento e sair. No futuro, percebi que não me ligou nada, porque pagava um valor que amava. Para o tirar de casa, tive que lhe encontrar um trabalho com direito a alojamento e a ganhar mil euros.

Como a Miss Lise Good, não trabalhava há muito tempo, tinha pouco “dargen”. Pedi-lhe para o guardar que eu assumia as despesas da casa. Não se sentia bem com essa situação e foi comprando comida e um dia, acabou.

A maedrasta e a amidrasta começaram a tentar separar-nos.

A maedrasta é uma pessoa muito exibicionista. Não podia ver uma câmara de televisão, que punha-se logo à frente para aparecer.

Ao aproximar-se o natal, começou a lembrar-se que era o primeiro sem o pai! A ter recaída da depressão e a ir-se muito abaixo. Chegou a um ponto que dizia que queria ir ter com o pai.

Fiquei aflito e sem saber o que mais fazer, falei com a amidrasta que a levou para o hospital psiquiátrico. Ficou internada duas ou três semanas.

A maedrasta levou-a para fora do Algarve, zona de onde as famílias eram naturais.

Pensei que estava tudo acabado.

Dois meses depois, veio a minha casa, abraçou-me e fez-me uma “inundação” doméstica! Escorreu pelas escadas, rua, avenida principal, praia dos pescadores e, subida do nível médio das águas do mar- oceano! Felizmente, sei nadar! Mas valeu a pena. Destas penas já gosto. Amo!

Estava nova, parecia que nunca tinha estado sob o efeito daquela tempestade tão recente.

Duas semanas após, a maedrasta queria voltar com ela para as origens.

Disse-lhe que se queria começar a trabalhar de novo, tinha que ficar, porque as empresas estavam a começar a abrir e agora era o tempo certo para procurar trabalho.

A maedrasta, deixou comida para a canita e para a filha nada.

O resultado foi voltar para minha casa. Erro! Se fosse hoje, dizia-lhe para ficar na da mãe e eu ajudava no que precisasse, porque continuava sem rendimentos.

Tudo correu bem entre nós, mas a depressão começou a regressar e estava a ir pelo mesmo caminho.

Para evitar que voltasse a acontecer o mesmo. A pensar no bem dela, conversámos e disse-lhe que talvez fosse melhor voltar para casa da mãe. Não era para terminar.

Desta vez, algumas coisas lhe faziam confusão e ficava alterada. Até um beijo sonoro na face lhe soava na cabeça como um ruido imenso e dorido.

Ao caminhar na rua, quando eu tropeçava ou terminava o passeio e flutuava no espaço aéreo, já se incomodava e dizia. Então não viste. Como é que te posso ajudar. Eu não consigo.

Um dia, foi às compras e disse que ia para casa. Mudou de ideias e veio esperar-me à saída do meu trabalho. Passei por ela e não a reconheci.

Ficou chateada e disse-me que não lhe tinha dito que era cego! Disse-lhe.

– Mas eu não sou cego.

Isto já era a depressão a fazer efeito. Era a conversa da mãe.

Sem a depressão, nunca foi problema.

Hoje vejo que devia ter falado mais da minha doença preferida, crónica e degenerativa. Ver por vezes, em bom algarvio, dá “jeto”.

Portanto, Tinha alguma razão, porque falei pouco.

Quando foi embora, disse-me que não era mulher para mim, porque eu era licenciado e merecia mais.

É típico de uma pessoa com baixa autoestima.

É um doce com bom coração. Fiquei mal habituado.

A maedrasta passou a vida a dizer-lhe. Está quieta que não sabes fazer nada. Era o patinho feio, apesar de muito linda e bonita.

A outra, era o inverso. Licenciada, sem exercer, era a predileta, porque igual à maedrasta. Antigente feia e horrível.

Nunca mais falou comigo. Afastou-se todos os meus e nossos amigos.

Mais tarde, tentei arranjar-lhe trabalho num restaurante de praia de um amigo. Mas respondeu que já não se sentia em condições de trabalhar porque a memória falhava muito.

No ano seguinte, no Zoomarine, que era o sonho dela. A resposta foi a mesma.

Nunca soube que fui eu.

ainda.

Ato 4

A doce, Lise Good, filha de portugueses, nasceu em Angola. Com um ano foi para o Canada e regressou em família para o Jardim à beira-mar plantado, aos dezoito anos.

No Canada, fez uma grande amiga, a Lise Bad, “má”!

Para não esquecer o Inglês, tinha o computador nesta língua, UK.

O, modéstia à parte, futuro príncipe, real, mais ou menos! Sempre teve olho para apreciar, duplamente, beleza humana. A estética física e, felizmente, fundamentalmente, a do intimo, interior!

Nos seus já tardios primórdios, era muito tímido e reservado. Já “trintito”, muito sorumbático! Logo Após, a baixa visão se instalar, definitivamente, até outras calendas! Desenvolveu humor e muita lata! Ótimos para muita coisa de bom, fantástico e maravilhoso!

Na adolescência, na escola, uma menina disse-lhe que tinha uns olhos iguais aos do “Tonho Cruz”! Ao que respondeu que ele é que tinha uns iguais aos do, no futuro, abusado! Mas pensou! Quem me dera ter uns feios, mas bons! Hoje está fora de questão! O seu a seu dono!

Ao serviço do poder local. Em contexto de atendimento, a pessoas originárias de países de língua oficial inglesa. Em virtude de estar, constantemente, a dizer que não fala inglês e a ouvir iu sepique béri uel. Já exausto! Quando se proporcionava, após boa análise de custos e riscos, Começou a proclamar: – “ái nid a britis garle frende!

Tantas vezes o cântaro vai à fonte, que alguma noite o santo cai do altar, espalha-se ao comprido e um dia “a coisa pega! E assim acontece.

A única vez em que o abusado foi para a estação dos comboios de Albufeira sem, previamente, comprar o respetivo bilhete! Ia correndo mal, muito mal!

Os dois únicos comboios da manhã, Alfa Pendular e ENTER Cidades estavam, totalmente cheios.

Ainda hoje, nunca pensei, à exceção deste momento, porque me dá “jeto” para estas letras com excessiva prosápia.

– Quem terão sido os safados que se orientaram primeiro com os lugares reservados para nós, todos. Referir que, por norma, não os compro para os deixar para as pessoas das cadeiras de rodas, “cadeirantes”. Era, apenas, para os olhar nos olhos, sem os apreciar, e agradecer, profundamente, eternamente!

Na bilheteira da estação da CP, a cerca de trinta centímetros à frente do abusado, estava uma senhora sexagenária a desistir do bilhete do Marido com M grande.

Com toda a certeza, intervenção divina da Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra e não sei se protetora dos padeiros. Se não é, devia! Milagre Das Rosas, apartidárias, sem fermento para pão de Coimbra, em bilhetes CP! Dom Dinis! Que leva ai senhora! São Rosas Senhor, são rosas!

Claro, sem dúvida, efetivamente, sem o lugar aquecido, penso eu de que, açabarquei-o logo e de imediato com máximas, urgência e prioridade.

Viajei ao lado da senhora abençoada, desconhecendo que para os mais próximos, poucas vezes na vida.

Conversámos, disse-me que tinha vivido no Canadá.

Disse-lhe que não falava inglês e. -  e fiz a “piadola” habitual! E desta vez em bom português, para não deixar dúvida alguma.

– Preciso de uma namorada que fale inglês.

– A minha filha fala inglês.

– Então apresente-me a sua filha!

Disse-lhe que o meu serviço ia organizar uma festa para imigrantes em Maio e convidei-as para virem.

aproveitei a desculpa para trocar-mos contactos. Espertinho! A vida custa a todos!

E assim fizemos. O telefone fixo delas pelo meu móvel. “Good  deal”!

Disse-me para lhe ligar perto da data da festa e assim procedi!

Liguei duas vezes e não atendeu. Problema.

Esqueci o assunto, porque, teoricamente, a probabilidade jogava contra o abusado, reduzida. Erro, mais ou menos! Porque nunca se sabe o que aconteceria se insistisse.

Passado um mês e meio da festa, fui às compras ao hipermercado Continente de Albufeira.

Como sabia que a menina trabalhava na padaria. Dirigi-me lá, por necessidade, imperiosa, de comer pão, quem sabe!

Como habitualmente pedi ajuda a uma funcionária. Já com o pão na mão, perguntei o nome à padeirinha. – Sou a Sónia. Apenas com o intelecto! – Não é ela.

Agradeci e fui aos derivados de lacticínios.

Pedi de novo ajuda a outra funcionária. Perguntei-lhe se trabalhava ali uma de nome, mantendo o anonimato, “ Lise Good!

– É minha funcionária.

Contei-lhe a história com a mãe e disse-me que estava de baixa com uma grande depressão.

Fiquei com “pena” dela. Coisa que habitualmente não tenho ou sinto de alguém e não gosto que tenham de mim. Mas, mesmo entre aspas, era a puxar para preocupação e cuidado! “Penugem”, positiva e construtiva.

Deu-me o telemóvel da menina para eu lhe ligar. Disse-lhe que podia não gostar e que seria melhor ligar-lhe primeiro e assim procedeu.

Perguntou-lhe se podia dar o telemóvel. Ela disse que sim, passou para mim e perguntei se podia ligar após sair das compras. Disse que sim.

Liguei, falamos cerca de vinte minutos. Adorei! Ela também pareceu gostar.

Combinámos encontrarmo-nos para almoçar no INATEL de Albufeira, lamentavelmente, com a mãe! Inverdade! Sítio com a melhor esplanada de Albufeira, mesmo ao lado da água salgada! Logo, com os pés de molho.

Como não podia deixar de ser! Cheguei atrasado. Só dez minutos. Suficientes para a mãe começar a fumegar e transpirar água e sal, em consonância com o meio envolvente.

Nutrimo-nos, os dois, com duas belas saladinhas de polvo! Só faltou de braço cruzado e copo de cristal prestigiado com champanhe francês ou espumante Raposeira.

A menina era um pouco reservada, o que combina bem com  o atrasado, abusado.

Como a média visão ainda permitia enxergar, qb! Olho azul, bem apessoada, “cheia de saúde”.

O melhor! Olhava pelo canto do olho. É o alinhamento perfeito para o efeito pretendido! Doçura doce!

– Ó Meu deus! Era a sorte grande e a terminação!

No fim, a mãe quis comprar um saco de farturas à fartazana.

Fomos passar o resto da tarde para as mesas exteriores do “Pato Donald comer o conteúdo! É a vantagem de não se conhecer o dono e ser uma multinacional.

O quanto antes, logo no dia seguinte, penso eu de que, fomos encontrarmo-nos nos banquinhos, tipo parque verde, virados para o mar, azul, marinho!

Sentámo-nos. Conversámos um pouco e em menos de nada. A minha mão, em conluio com os meus braço e antebraço, destros, sem permissão da racionalidade mas sob orientação da necessidade, pousaram, suave e levemente,  no ombro poente da menina.

Os meus, bem distraídos, inocentes, precisados, marotos, lábios, pousaram um beijinho na sua face mais à mão, a nascente!

E já está! Namorada!

Para quê perder tempo! Para vir outro e ocupar o meu lugar ao sol?! Ná!!! Escolhe outro!

São os entas, amiga! São os quarentas, amigo!

Um, único, dia disse-me. – Então quando falamos inglês?

Comecei a falar que nem uma matraca british.

- Cala-te, cala-te!

– e foi para nunca mais spekar. Ficou-me de emenda e com a doce professora!

É a vida a acontecer!

 

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