Amor em tempo de pandemia: do olá ao para sempre

Por Pedro Frasco

O ano era 2020. O mundo ainda não sabia bem o que aí vinha, mas eu já fazia perguntas importantes à humanidade. Estava no ginásio, entre halteres e decisões erradas, quando pergunto a uma amiga:

- Por acaso, não tens uma amiga simpática, solteira e bonita?

Ao que ela responde:

- Por acaso tenho.

E assim, como quem recomenda um bom restaurante, ela apresenta-me a Catarina, a sua melhor amiga, uma espécie rara que não respondia a mensagens com facilidade e não aceitava "olás" de qualquer cidadão.

Mas nesse dia... algo aconteceu.

Talvez o Mercúrio estivesse retrógrado. 

Ou talvez fosse apenas o destino que a levou a responder ao rapaz que lhe enviou um simples "olá :)".

Mensagem essa acompanhada por outro gesto nada suspeito: eu a colocar gosto em praticamente todas as fotos dela. Eu chamo-lhe dedicação. 

Começámos a falar. Conversa vai, conversa vem, até que eu penso: “Vou fazer algo romântico.”
E o que é mais romântico do que percorrer 60 km para falar com uma rapariga numa paragem de autocarro?
Nada. Absolutamente nada.

Encontrámo-nos, de facto, numa paragem de autocarro, onde aconteceu um dos encontros mais improváveis da história do amor moderno: eu a tentar ensinar-lhe a fazer um cubo mágico… durante horas… sem muito sucesso… mas com muito sentimento.
O cubo não ficou resolvido, mas a relação ficou.
Desde esse dia nunca mais nos largámos.

Mas para nos complicar a vida e pôr à prova o nosso amor, de repente… PAM.
Pandemia.
Confinamento.
Distância.

O nosso romance transformou-se num call center sentimental: videochamada diária, o dia todo, todos os dias. Se houvesse fatura, ainda hoje a estávamos a pagar.
Até que chega o grande dia 15 de maio.
Fomos para um sítio calmo, isolado, romântico… e pedi-a em namoro.
Foi um momento lindo. Cinematográfico. Banda sonora imaginária.
E é aqui que entra…
O Pai.
Surgiu de repente e ela, num reflexo ninja, vira-se para a parede como quem pensa: “Se eu não o vir, ele não me vê.”
Spoiler: viu.
Foi basicamente assim que conheci o meu sogro, que no seu modo ultra-protetor ativado, naquele momento olhou para mim como se eu fosse um criminoso internacional. Houve tensão. Houve silêncio. Houve avaliação de risco.
Hoje vejo futebol com ele no sofá.
Preocupa-se mais comigo do que com a própria filha.
Faz inventários completos do frigorífico em voz alta, como um guia turístico:
— Temos iogurtes, queijo, fiambre, sobras de ontem… queres?
O início da nossa história pode ter sido atribulado, cheio de coincidências improváveis, desafios e momentos inesperados. Mas hoje, quando olhamos para trás, percebemos que cada passo fez sentido. Cada distância, cada obstáculo e cada prova aproximaram-nos mais e ajudaram-nos a crescer juntos. Acreditamos que estávamos destinados a encontrar-nos e que tudo o que vivemos foi necessário para construirmos a vida que temos hoje: uma relação feita de cumplicidade, amizade verdadeira, companheirismo, entreajuda e, acima de tudo, muito amor.

 

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