Testemunho de Isabel Santos
"Sou Isabel Santos, tenho 48 anos e sou natural de Anadia, distrito de Aveiro. Sou Psicóloga desde 2002 pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e com Pós-Graduação em Proteção de Menores (ano de 2007) pela Faculdade de Direito da mesma universidade. Possuo o Certificado de Competências Pedagógicas. Em 2013 conclui o Mestrado em Educação e Formação de Adultos pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.
Durante alguns anos fui exercendo a minha atividade profissional em várias entidades na região centro do país. Andava “de casa às costas”, mas satisfeita por exercer a profissão que escolhi e de que tanto gosto. Todas estas experiências permitiram-me adquirir competências, ajudando-me a acreditar que poderia desempenhar as minhas funções, contornando as limitações devido à baixa visão. Inúmeras vezes estas limitações, nomeadamente o fato de não poder conduzir, condicionaram a minha integração profissional. Apesar disso, nunca desisti de tentar a integração em mercado de trabalho.
Decorria o ano de 2014 em que me encontrava em situação de desemprego há mais de um ano. Apesar de todas as diligências que fazia por iniciativa própria, não conseguia colocação no mercado de trabalho. Nesta altura, decidi voltar a contatar o Departamento de Apoio ao Emprego da ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) na delegação de Coimbra. Foram analisadas a minha experiência profissional, o meu projeto de vida e as várias hipóteses de integração através das medidas de apoio ao emprego. Chegámos ao CASCI (Centro de Acção Social do Concelho de Ílhavo) e em 2015 entrei para o Centro de Reabilitação Profissional desta instituição, onde estou até hoje. Iniciei ao abrigo de um CEI+ para pessoas com deficiência e incapacidade, depois integrei um Estágio Profissional e, desde 2017, tenho contrato de trabalho ao abrigo do Emprego Apoiado. Exerço as funções de Psicóloga no Centro de Reabilitação Profissional do CASCI. Aqui, consideram-se as minhas capacidades em detrimento das minhas limitações. Apesar destas (limitações) existirem, há recetividade em encontrar estratégias para as colmatar, permitindo-me desempenhar as tarefas profissionais que me são atribuídas.
Para terminar, gostaria de deixar uma mensagem às pessoas com alterações das funções da visão que se encontram em situação de desemprego. Aconselho a não desistirem, face às inevitáveis adversidades e a procurarem o Departamento de Apoio ao Emprego e Formação Profissional da ACAPO. Neste local, encontrarão técnicos/as disponíveis para ajudar na vossa integração no mercado de trabalho e na (re)construção do vosso projeto profissional."
Isabel Santos, Associada da Delegação de Coimbra
